2 de dezembro de 2020

o sapatinho foi à rua # 520

Passei por cá só para dizer que estou apaixonada pelas minhas botas Calçado Sameiro.

São lindas.

São de pele.

São confortáveis.

Adequam-se a todos os dias e ocasiões e, acima de tudo, são 100% portuguesas e o que é nacional é bom.

Foram a prenda para mim mesma nesta Black Friday.

Preferi comprar on-line para evitar as confusões. O resultado foi excelente e o preço foi bastante simpático.

<3













fato: United Colors of Benetton
camisola de malha básica: Zara
mala: Fjalraven Kanken
Botas: calçado Sameiro
Chapéu: Zara

1 de dezembro de 2020

o sapatinho foi à rua # 519

 Gostam das minhas botas?









casaco malha: Zara 

shorts: Zara (alterados)

collants cardados: Calzedonia

botas: Calçado Sameiro

30 de novembro de 2020

yves rocher

 Meus amores, o Natal chegou cá a casa mais cedo.

O homem decidiu fazer-me uma surpresa a começar... AMANHÃ (Can´t wait!!!).

A ideia foi da Yves Rocher, claro.

Trata-se de um conjunto irresistível desta marca, em cartão 100% reciclável, que celebra o Natal em 24 dias mágicos - o Calendário do Advento -, cheios de surpresas e de miminhos muito especiais.

Este set convida-nos a entrar no Jardim Mágico do Natal Yves Rocher, onde as plantas têm poderes incríveis.

Esta contagem decrescente até ao Natal é simplesmente genial.

A cada dia posso abrir uma caixinha e descobrir um segredo encantado com alguns dos meus produtos preferidos de rosto, maquilhagem, corpo ou perfumes em formato normal ou miniatura-pitipiti.

Assim que terminar a contagem decrescente, posso sempre reutilizar o meu calendário de várias formas:

- posso utilizar as suas pequenas caixinhas para decorar a mesa de Natal com uma surpresa lá para cada convidado

- posso também voltar a enchê-lo com outros produtos para uma contagem decrescente diferente

ou

- posso simplesmente usar cada caixinha para presentear o meu amigo secreto... as opções são intermináveis!






Feeling spoiled!!!

os meus cinco minutos # 51

 A igualdade de género no Judo no âmbito da comemorando do 40º aniversário do 1º Campeonato do Mundo Feminino, acompanhando as iniciativas da FIJ e as ações da Comissão de Mulheres & Desporto do Comité Olímpico

 

 Hoje em dia, é complicado e até perigoso ou tendencioso dizer que se é feminista. Sou antimachista. Sou antifemista. Sou, portanto, feminista. Não quero ser mal interpretada. Sou mulher. Sou mãe. Sou filha. Já fui neta. Não sou Judoca, mas sou mãe de um Judoca e sou esposa de um Judoca e, de alguma forma, acabo por viver e respirar o Judo de uma maneira muito intensa e vívida.

Não há dúvida de que o preconceito e a igualdade de género andam de mãos dadas. Existem, invariavelmente, padrões estereotipados relativamente a ambos os géneros e, mais especificamente, no que toca à prática de modalidades desportivas. É tão claro como água que é suposto os meninos gostarem de luta e as meninas gostarem de ballet. Na realidade, Billy Elliots há muitos  e, num desporto como o Judo, acredito mesmo que o preconceito tende mais para o género masculino do que para o género feminino. Se uma rapariga gostar de Judo, é fixe; todavia, se um rapaz gostar de ballett já é um cabo dos trabalhos e aí a história é outra.  

Verificamos, então, que há expectativas inerentes e castradoras que nos acompanham desde sempre, existindo mecanismos sociais de codificações previamente definidos antes mesmo de nascermos. Comprovamos um inegável ênfase crescente do cor de rosa para as meninas e do azul para os meninos. Sentimo-nos assoberbados com roupa, brinquedos, postais de aniversário ou mesmo papel de embrulho com cores distintas consoante o género. As diferenças existem.  E ainda bem. Apenas cabe a todos respeitá-las.

Encontramos, inegavelmente, situações de disparidade no seio da sociedade e no desporto, sobretudo, no desporto que move massas e que lida com salários discrepantes. No plano dos dados concretos, em relação ao Judo, não encontro situações ainda que ténues de desigualdade. Acredito que os treinos são organizados de forma a contemplar a abordagem de algumas vertentes do Judo que se coadunam com a condição feminina das atletas. Além do mais, os treinadores parecem-me preparados para a especificidade da mulher/rapariga atleta e penso que, na progressão traduzida nas graduações, existe o cuidado de tratar de igual forma os jovens praticantes nos acessos às etapas superiores.

Devido ao número reduzido de atletas femininas, os treinos são, frequentemente, mistos. Assim, muitas vezes, no tatami, o trabalho é realizado com grupos ecléticos, o que não me parece algo necessariamente negativo; antes pelo contrário, poderá ser um privilégio e uma vantagem treinar com alguém eventualmente mais forte, do género masculino. Se os treinadores devem treinar rapazes e as treinadoras treinar as raparigas? Esta não me parece uma questão válida ou pertinente para o desenvolvimento do Judo em geral.  Não me parece também que a indumentária das árbitras seja algo tão decisivo no que concerne à igualdade de género; ter outras opções que atendam a um visual não masculino não me parece incontornável. A indumentária segue toda uma tradição e isso nada tem que ver com preconceito.

 

Acredito, sim, que se justificam os incentivos específicos ou formas de acompanhamento peculiares para que jovens raparigas em fase de crescimento mantenham a sua relação com a modalidade e ultrapassem as barreiras que as afastam do desporto e do Judo em particular. Na minha opinião, atletas femininas afetas a projetos olímpicos e às seleções nacionais poderiam envolver-se com a comunidade e quebrar o tabu do Judo feminino que assenta na ideia de que esta modalidade se destina unicamente a rapazes.

Julgo que o preconceito está encerrado dentro de cada um de nós e, realmente, não  consigo encontrar o preconceito no Judo, de uma forma geral e sistemática, enquanto bicho-papão. Sobretudo no Judo. Esta é uma modalidade que prima pelo respeito e pelos valores a si inerentes, tais como a amizade, a honra ou a cortesia.

                No Judo, os balneários são diferentes para cada género. Esta é das poucas diferenças válidas que encontro no Judo. Não vamos criar macaquinhos no sótão, certo?


in Judo Magazine



23 de novembro de 2020

spots giros # 22

 M Bakery Aveiro.

Já ouviram falar?

É um dos mais recentes espaços giros na nossa cidade.

A decoração a puxar para o pink-algodão-doce é elegante, acolhedora e sofisticada, a lembrar uma autêntica casinha de bonecas.

Aliás, toda a atmosfera de glamour remete para o imaginário do mundo doce dos sonhos, dos unicórnios e das princesas, com pormenores em veludo, rosas nas paredes, dourados e cadeiras almofadadas que ficam lindíssimos nas fotos!!!

As casas de banho são fofas-até-dizer-chega e abrem-se com um cartão para que apenas os clientes possam usufruir das mesmas com o máximo de higiene e limpeza, o que, nos tempos que correm, digamos, vem mesmo a calhar.

Ou seja, fiquei apaixonada pelo spot, pelo atendimento único e personalizado (cederam-me uma cadeira, muito amavelmente, só para mim, para poder pousar a mala e o casaco) e pelas iguarias todas que nos fazem engordar só de olhar.

Provei o cheesecake e engordei a-m-e-i.

Pormenor: achei curioso servirem um copo de água formato-e-tamanho-saqué para conseguirmos degustar o doce com mais rigor.











Se visse por lá a Alice no País das Maravilhas, não me admirava nadinha.

7 de novembro de 2020

os meus cinco minutos # 50

Cuidado! 

Vêm a Nau Cobiça e a Nau Soberba, agachadas, sorrateiras, e, tal como o amigo-peixe-falso-hipócrita-como-tantos que a Fada Oriana encontrou no seu caminho, atrevem-se, cegam-nos, mostram-nos espelhos, reflexos; enchem-nos o ego, lisonjeiam-nos, sopram-nos as velas que incham – como incham! - e, neste momento, já não nos basta o mar, não!, queremos o ar também.

Comuns mortais, fracos!, esquecemo-nos de que podemos ser presas fáceis da fisga e do anzol. Cedemos, irremediavelmente, e, então, perdemos as asas que levámos uma vida inteira a construir – bestial - e esperamos, impacientes, que haja uma velha que se atire no abismo para que nos redimamos desta vida desgraçada e talvez nos apercebamos daqueles que nos lixam e que, felizmente, vamos deixando para trás - besta.


3 de novembro de 2020

o sapatinho foi à rua # 518

 A vida tem vindo a ganhar um sentido mais prático.

As máscaras dispensam a maquilhagem.

Enquanto seres humanos, também nos tornámos mais objetivos e menos superficiais.

O conforto vem em primeiro lugar.

E as amizades.

E a simplicidade.







camisola de malha: Sacoor

jeans: Levi's

calçado: Merrell

blazer: Massimo Dutti

Saco: Fjalraven Kanken

2 de novembro de 2020

os meus cinco minutos # 49

 Vamos sonhar e lutar por aquilo em que acreditamos?

Vamos criar Ilhas extremas do Sul, terras de suavidade que vingam em tempos bons, menos bons e desafortunados?

Vamos criar o nosso Palácio da Ventura, em que as portas, desta vez, se abrem ante os nossos ais?, e em que dentro não existe vazio; somente luz e brilho?

Vamos deixar de esperar por sebastianismos pacatos e acomodados e vamos criar, efetivamente, o Quinto Império sem messias que nos venham salvar?

Assim, não choverá dentro de nós e conseguiremos a alegria de um céu azul e plácido, como o de lá de fora!

Deixemos de lado pessimismos e usufruamos de uma recompensa justa pela nossa demanda diária: o nosso Canto IX, a nossa Ilha dos Amores, mas sem ninfas seminuas, por favor!, nem caças inglórias. 

Apenas o conceito do amor e da igualdade de género do século XXI! 

Vamos lutar por aquilo em que acreditamos?

Vamos?


25 de outubro de 2020

os meus cinco minutos # 48

Segundo Fernando Pessoa, os efeitos da “dor de pensar” encontram-se resumidos em dois versos de uma das suas quadras populares: “Porque é que p’ra ser feliz/ É preciso não sabê-lo?”. Já Manuel António Pina discute de uma forma mais pragmática a essência da felicidade, chegando à conclusão de que o PIB não é, de todo, um índice fiável de felicidade. Nisso estamos de acordo.

De facto, Pessoa não consegue ser feliz devido à sôfrega intelectualização do real, não conciliando aquilo que deseja com aquilo que realiza, gerando, pois, uma frustração e um consequente drama de personalidade. É, então, impedido de ser feliz devido à lucidez, procurando a realização do paradoxo de ter uma consciência inconsciente. Todavia, ao pensar sobre o pensamento, percebe o vazio que não lhe permite conciliar a consciência e a inconsciência. Gostava, muitas vezes, de ter a inconsciência das coisas ou de seres comuns que agem como a “pobre ceifeira” ou que cumprem apenas com as leis do instinto, como o “Gato que brinca na rua”. Logo, o ortónimo não consegue fruir instintivamente a vida por ser consciente, mas também pela própria efemeridade da mesma. Assim, a efemeridade do tempo, enquanto fator de desagregação desperta-lhe o desejo vívido de ser novamente criança, sentindo a nostalgia da infância como um bem perdido, “Criança contente de nada”. Tal leva-o à desilusão perante a realidade da vida e do próprio sonho. Neste sentido, “para se ser feliz é preciso saber-se que se é feliz”, pois “Não há felicidade em dormir sem sonhos.” Para Pessoa, não há dúvida de que “Saber é matar, na felicidade como em tudo. Não saber, porém, é não existir.”

No meu parecer, a felicidade – aquela que se afasta da ingenuidade pueril e inviolável da infância estéril - pode ser algo consciente, matéria palpável e altamente transmissível. Ela surge nos pequenos momentos do dia a dia. Surge da partilha. Surge nos sorrisos trocados com os outros, ou quando nos reunimos com a família.  Não será a felicidade uma evolução do pensamento eunuco dos petizes, a materialização dos sonhos e das conquistas e a consciencialização de alguma volatilidade? O que é, aliás, a felicidade, senão a subjetividade dos olhares alheios? 

Existamos, enfim!, em consciência!

19 de outubro de 2020

os meus cinco minutos # 47


A condição da mulher na sua relação com as figuras masculinas tem vindo a ser desvalorizada e subjugada por cânones totalitários e redutores previamente estabelecidos na literatura, ao longo dos séculos.

Retratada pelos escritores românticos como um ser distante e idealizado pelo amante, a mulher circunscrevia-se, essencialmente, ao ambiente doméstico ou poderia, quiçá, servir como adorno em ambientes sociais, contígua à própria existência masculina. Além do mais, o papel de esposa e mãe virtuosas estaria ainda, indelevelmente, interligado com um estereótipo de beleza ideal, regido por elevados parâmetros petrarquistas, como podemos comprovar, aliás, desde a poesia trovadoresca, resultando numa objetificação óbvia e indiscutível deste género.


Em Os Lusíadas, podemos testemunhar a presença feminina enquanto parte integrante da existência do próprio homem: ventres maternos, esposas e irmãs do peito lusitano que se distinguiu pelos seus feitos valorosos. No canto IX, na Ilha dos Amores, a exploração do corpo feminino como recompensa de atos heroicos faz-nos acreditar que as mulheres eram meros corpos inabitados com o propósito de serem avidamente consumidos e descartados.


Relativamente a Amor de Perdição, de Camilo Castelo Branco, também esta obra, que se insere no Romantismo Português, reforça o ténue papel da mulher na sociedade de então, sendo a sua idealização emoldurada por Teresa. Nesta crónica de mudança social, critica-se uma sociedade retrógrada e repressora, assente em  desigualdades, a começar pela discriminação de géneros e pela insignificância social do elemento feminino. De facto, podemos verificar que Teresa, enquanto mulher, não tem muitas opções de escolha: ou casa com o primo ou vai para o convento.

Da mesma forma, em Frei Luís de Sousa, a mulher, neste caso Madalena de Vilhena, é, mais uma vez, demasiado sentimental e pouco racional, comparativamente ao homem. Logo, o temor a Deus encontra voz no género feminino, retratado como originariamente pecador e submetido ao género masculino. Frágil e delicada, perante Telmo e deus, Madalena revela-se pecadora, adúltera e traidora, submetendo-se ao poder masculino de forma subserviente. 
Torna-se claro que a ideologia dominante masculina tem como porta-voz Telmo, mas encontra-se igualmente presente no discurso da própria D. Madalena, edificando-se, desse modo, a crise identitária da personagem. “Aquele estado” e o perdida “não sei de quê” são fórmulas vagas que representam um descontrolo físico e emocional que vem justificar, mais uma vez, a inquestionável fraqueza feminina. A sua morte simbólica, no final, confirma a perda de identidade da mulher que ousou seguir o impulso da paixão, desvinculando-se do elemento masculino e aniquilando-se, assim, pela imposta ordem dominante.


Estas obras permitem-nos, assim, uma reflexão sobre a conjuntura feminina ao longo dos tempos num diálogo aceso com a figura masculina, dela resultando a sua inegável subjugação. 


Partindo das obras referidas, podemos fazer uma sólida analogia com o cartoon O jogo dos Galos, de José António Santos Corte Real, de 2007, in Desigualdades e Preconceitos

Neste cartoon, observamos o Jogo do galo, em que a totalidade dos quadrados se encontra preenchida com o símbolo genético masculino de cor azul, à exceção do quadrado do meio, preenchido com um único símbolo genético feminino a cor de rosa. 

Podemos entender que, sendo este um jogo estratégico, e uma vez que os espaços se encontram todos preenchidos pelo símbolo masculino, o símbolo feminino não terá qualquer hipótese de ganhar seja o que for. 

Esta é uma forma metafórica de incapacitar o poder das mulheres num mundo maioritariamente dominado por homens.