6 de agosto de 2015

leitura em dia # 1

Sapos-leitores-assíduos-que-devoram-livros-até-mais-não, já lá vai o tempo em que o vosso Sapatinho deglutia 5 livros em 4 dias, em que levava um livrito ou outro, escondido debaixo do braço, para todo o lado; para a casa de banho, para a mesa, para o café, para o carro, para a sala, para a cama, enfim!, era um ver se te avias!
Depois, nasceu o Bernardo e o ritmo tornou-se outro (mas isso são outras águas...).
Continuo a ler, sim, muito, imenso!, mas apenas em contexto profissional; o que já não é mau de todo.
Ora, há uns meses atrás, peguei no O Anticristo, de Nietzsche, que andava por lá atirado, e pensei Nem é tarde, nem é cedo
Bem, comecei a lê-lo, empolgadíssima, e... depois.... depois...pousei-o... algures...
Sim, é uma pouca vergonha!
Pousar O Anticristo?
Algures?!!
Como, Algures?
Isso é sítio??
Onde já se viu?!!!!
Têm toda a razão, mas calma, sapitos, calma, que Portugal ainda é nosso!
Esta semana, voltei a encontrá-lo, esquecido numa prateleira, e já não o larguei mais.
Ontem acabei de o ler.
Foi um livro que me marcou, sem dúvida, e que me fez pensar mais (ainda) no Cristianismo e na condição humana. Achei-o polémico, aceso, inteligente e mordaz.
Se a minha visão do Cristianismo é a mesma depois de ler O Anticristo?
Mentiria se dissesse que sim.
Se concordo cegamente com tudo o que foi escrito?
Nem 8, nem 80!
Mas dá que pensar. Ai se dá!
Conhecido pela célebre frase O Evangelho morreu na Cruz, Nietzsche teceu, nesta obra atual, uma das mais ácidas críticas ao Cristianismo, de toda a história espiritual.
Através de um delírio paradoxalmente consciente, intercruzado com ataques e ironias ferozes, o autor denuncia o Cristianismo, enquanto sinónimo de corrupção, calamidade e enfermidade. Esta crítica não é mais do que um ajuste de contas ao parasitismo, à negação da realidade e à perversão interior.
Então, pequeninos, o que é o Cristianismo para ele? É uma religião que nega o ato de viver, corrompe os instintos humanos e impede a felicidade. É uma automutilação. É a conspiração contra a saúde, a beleza, a retidão, a bravura, o espírito, a beleza de alma, contra a própria vida. Destemido, mete o Cristianismo e o alcoolismo exatamente no mesmo saco, pois são eles os 2 grandes meios de corrupção.
Nietzsche propõe o surgimento do “além-homem”, um ser capaz de aceitar as suas limitações e superações, diante de um mundo sem necessidade de Deus para criá-lo, guiá-lo ou destruí-lo. Ele vê-se como um anticristo que necessita de descristianizar o Ocidente, onde a moral do ressentimento e da culpa estão latentes no nosso mundinho cristão. A vida deve ser entendida sem o sentimento de culpa da moral cristã. O pecado pura e simplesmente não existe e, se não há pecado, não há, de todo, necessidade de salvação. O ser humano criou um Deus, sim, para preencher o seu próprio vazio existencial, como forma de negar a sua existência.
Posto isto, o que é Deus, afinal, para Nietzsche? É a contradição e negação da vida. Então, enche o peito de ar e aponta o dedo a esse Deus doméstico, vendedor, negociante, caixeiro-viajante. É um Deus cuja vontade se torna dominante, que castiga ou recompensa conforme o grau de obediência. E nós não passamos de paus-mandados, cordeiros de Deus, num rebanho que não pensa.
Já Cristo não passou de um romântico anarquista que pretendia mudar o mundo, um criminoso político que morreu por causa dos seus pecados e não dos pecados dos outros.
E o padre?, meninos, o padre?
Ah, o padre, esse!, é um comedor de bifes, é um parasita que vive pelos pecados dos outros e, sem eles, a sua existência não faria qualquer sentido.
Então, obviamente, teve de aparecer a Igreja!, esse manicómio católico que veicula a palavra de Paulo, o apóstolo culpado de todos os males. Ele é o verdadeiro e único fundador da Igreja Cristã. Cristo não tinha a intenção de criar uma igreja institucional, tanto que morreu por isso. Paulo foi, então, O responsável por criar a visão de um Deus punitivo à qual nos habituámos e conhecemos tão bem, visão essa totalmente diferente daquela pregada por Jesus. 
Paulo foi o usurpador da herança de Cristo. Como golpe de misericórdia, Paulo criou o Juízo Final, o bicho-papão-malvado que levou o medo à vida terrena. Transformou Jesus no Salvador da humanidade e culpou a vida, odiando-a. 
A decadência venceu!
Meus senhores, este livro é de leitura obrigatória e serve para refletirmos sobre o que há do lado de lá e como é filtrado no lado de cá! 
Sapos-que-pensam-pelas-vossas-cabecitas, deixo-vos aqui este desafio: leiam O Anticristo, sem preconceitos ou tabus, e depois falamos, ok?

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