6 de abril de 2013

Eu a bufar, é preciso ter lata

Ontem à noite, sexta-feira, era dia de Judo. Normalmente, os treinos acabam por volta das 21h e janta-se mais tarde, cá por casa. Eram 21h10 quando telefonei ao Nuno e nada. Passados 2 minutos, liga-me de volta:
- Estou a 5 minutos de casa.
- Okay. Estou a aquecer a sopa. O treino correu bem? (enquanto enfiava a sopa no micro-ondas e girava o botão…)
- Sim, correu; hoje não treinei; ainda tenho dores…
- Sabes, estava mesmo a apetecer-me algo doce… Uma tripa de chocolate… UMA TRIPA DE CHOCOLATE!!
- És cá uma gulosa!
Conversa aqui, conversa ali e no FINAL do telefonema.
- Demoras muito?
- Não. Estou só a 5 minutos de casa.
FREEZE! REWIND! Foi aqui que fiquei com a pulga atrás da orelha. No início do telefonema estava a 5 minutos de casa e agora CONTINUA a 5 minutos de casa? – pensei.
- Mas, então, onde estás?
- Na rotunda perto do hospital…
- Ainda????!!
- Sim, estive a fazer inversão de marcha…
Este tempo todo?? – pensei. Os homens e as manobras…
Okay. Xauzinho. Adoro-te. Beijinho. E desligámos o telemóvel, Mas ele não vinha. Não chegava. Era a 1ª vez que se atrasava, mas nós sabemos bem como os homens são. Uma desculpa esfarrapada e, de repente, já não os conseguimos segurar mais (sim, estou a ser um pouco melodramática…). De qualquer das formas, um percurso que deveria demorar cerca de 10 minutos estava a tornar-se uma eternidade. Bufei pr’aí 500 000 vezes e ele MESMO ASSIM não chegava. Era capaz de o matar se o visse pela frente. Às 9h40, toca a campainha. Toca uma vez. Toca duas vezes. Toca três vezes. E eu a bufar e a estrebuchar entre dentes. É preciso ter lata. Vem tarde e ainda a tocar desta maneira. É preciso ter lata e já ia a bulir até à porta. Vi a cara dele no vídeo-porteiro e ainda a bufar. Abri as 2 portas e caminhei para o quarto. Fechei a porta do quarto à BRUTA para ele saber que eu estava mal-disposta. É preciso ter lata. Ele chama-me, bem-disposto – Amorzinho 1. Amorzinho 2. Amorzinho 3. Eu nada. Não lhe respondi para ter noção do que tinha feito. É assim. Ponto final. Amorzinho? Sim! – respondi num tom diz-lá-estou-ocupada-nem-te-posso-ver-pela-frente.
Mas, não sei se foi o meu sexto sentido ou o meu bom-senso, ou a vozinha tão meiga e desapercebida do género queridinha-és-tão-linda-o-que-se-passa-que-te-amo-tanto!!
O meu SIM tornou-se num siiiiimmm?
- Fui buscar-te uma tripa de chocolate…
O quê????? MERD..!! O homem fez um desvio e tanto para satisfazer os meus caprichos, cansado, soado, cheio de dores e, provavelmente, cheio de fome e eu com 4 pedras na mão!!! Que vergonha, Manuela, isso não se faz!! Um homem assim até desanima!! E agora???
Para disfarçar, entrei na cozinha de nariz empinado, como se não fosse nada comigo; não podia dar a mão à palmatória ou então aí ele sairia com os louros. Jantei à pressa – a comida custava a escorregar – então, amorzinho? Não estás zangado comigo, pois não? – Não. 
Assim que pus a tripa à boca:
- Então, está a saber-te bem? – os homens têm um sentido de oportunidade incrível, MILIMÉTRICO, devo dizer. Sorri e continuei a comer. – És terrível! – pois é, há dias que correm menos bem… Para a próxima é melhor conter-me. 
 http://modanosapatinho.blogspot.pt/
A tripa só pode ser: ZÉ DA TRIPA!!!

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