19 de fevereiro de 2019

os meus cinco minutos # 28

Há uns anos, fiz uma surpresa ao Nuno e reservei uma mesa no restaurante Adega do Confrade, em Aveiro.
Já não me recordo se era uma data especial, mas adiante.
Sei que telefonei para o número que estava registado na internet e falei com uma senhora a marcar a mesa, em nome de Manuela Simões, para as oito horas.
Era sábado à noite.
Não fazia frio.
Estava uma noite amistosa e a lua espiava-nos do alto, impaciente, de pé trémulo, como quem espera algo.
Acabámos por ir lá jantar, à Adega do Confrade, e a experiência foi muito positiva.
A decoração era típica, a fazer lembrar os restaurantes que vamos com os nossos pais e com a família toda junta, e a comida era simplesmente deliciosa.

Na realidade, do que mais gostei foi do atendimento.
A empregada de mesa era simpática, atenciosa e prestável.
Digam o que disserem, a simpatia é que nos faz querer voltar a algum sítio.
Como um porto seguro.
Um abraço apertado que não conseguimos explicar.
Foi o que senti.
Que a senhora que nos serviu nos apertou contra si e nos fez sentir em casa.

Quando saímos do restaurante, eu o Nuno falávamos sobre isso mesmo; que há poucos empregados  tão competentes e esforçados relativamentes àquilo que fazem; que se dedicam de corpo e alma, genuinamente, de unhas e dentes, ao seu trabalho, como se fossem donos e senhores daquele espaço e daquelas mesas e daquela paixão e se entretivessem a colecionar paixões; clientes felizes e satisfeitos.
Sempre me ensinaram que a isso se chama brio.
E o brio anda sempre de mãos dadas com a honra.

A propósito de uma conversa que tinha tido com o Norberto há uns dias, de como facilmente recorremos ao livro de reclamações para mostrar ao mundo a falta de zelo de alguém, mas nunca fazemos o contrário e nunca enlevamos as qualidades de um profissional capaz e abalizado, decidi telefonar novamente para o mesmo número que havia feito a reserva no restaurante e elogiar aquela profissional.
Pareceu-me bem.
O Nuno olhou-me; provavelmente a pensar que a situação poderia ser evitada.
Digo eu.

Boa noite. O meu nome é Manuela Simões. Tinha reservado mesa no restaurante Adega do Confrade e pretendia falar com a gerente, se faz favor.
A minha voz não roçava a simpatia, não senhor. Roçava mesmo a frieza humana, típica dos humanos, de uma forma geral.
Do outro lado, ouviu-se uma voz reticente e abafada.
Sim... Sou eu..

Olhe, estou agora mesmo a sair do restaurante e queria falar da vossa funcionária Não-me-recordo-do-nome.
Pois não. Diga. Aconteceu alguma coisa...?
A voz crescia arrastada e suspensa. Reticente, como se esperasse o pior, como se uma notícia má viesse a caminho de forma avassaladora e a fosse desfazer em pedaços.

Julgo que empolei e dramatizei a seriedade do assunto, de forma intencional, como se quisesse provar algo a alguém; provavelmente a mim mesma.
Não. Só queria dizer que a Não-me-recordo-do-nome nos atendeu de forma exemplar e que revelou ser uma funcionária muito competente e profissional.

Foi neste momento que suavizei a voz.
Decerto.
Como se desistisse das leis e da burocracia e do antropofagismo humanos e falasse unicamente com o coração.
Sabem, como quando falamos com paixão e parece que o peito se nos enche e damos ao outro o melhor de nós?
Foi assim.
Sabe, tinha mesmo de lhe dizer isto.

Senti um silêncio do outro lado da linha.
Não sei se esse silêncio foi real; se existiu de verdade.
Mas eu senti-o.
Como um suspiro de alívio e contentamento, de quando nos sentimos apertados e, de repente, nos largam e nos deixam ir e ficamos livres.
Sabem?
Foi assim.

Obrigada. Muito obrigada.
E senti carinho. Como se conhecesse a outra pessoa do outro lado da linha e ela me ouvisse e me sentisse e presenciasse o meu âmago.

Nem imagina o que essas palavras significam para mim.
E a conversa continuou até que os obrigadas terminaram e os com licenças e desligámos o telefone.

Senti-me cheia!

Uns meses mais tarde, na altura em que o Bernardo ainda praticava basquetebol, estava a conversar com a Margarida, quando ela me disse que a mãe de um menino do basquetebol, a Catarina, era dona do Púcaro e que tinha vendido recentemente a Adega do Confrade.

Adega do Confrade?

A Catarina (que mal conhecia; que passava por mim e dizíamos boa tarde boa tarde tudo bem? tudo bem?) era dona da Adega do Confrade?!!
Sim. Vendeu o restaurante recentemente.

Naquele momento, tive a certeza que a Catarina era a pessoa com quem tinha falado ao telefone e, se fosse, achei que tinha de falar com ela como se o mundo pudesse terminar ali.
Compreendem?

Cheguei perto dela, muito séria e genuinamente agitada, como se a verdade dependesse das minhas palavras, e disse-lhe, enquanto a olhava fixamente.

Olha, Catarina.. Acho que já nos conhecemos.
E peguei-lhe nas mãos.

Estava certamente a ser teatral e dramática e ridiculamente disparatada, mas, para mim, que a tinha ouvido e sentido naquele momento que pareceu durar para sempre, fazia sentido.

Lembras-te daquela noite em que recebeste um telefonema de uma cliente que tinha vindo da Adega do Confrade? E que telefonou para falar de uma funcionária...?
E apertei-lhe as mãos.
Ela fitava-me, muito séria.
Olhava para mim, como se olhasse para a minha alma.
Sim...
Disse ela.

Fui eu.

Houve um silêncio.
Um silêncio que se tornou longo e que parecia estalar entre nós, erguer-se ao ar e suster-se, de punho em riste.


De repente, a Catarina, com os olhos em água - pelo menos, juro que pareciam que estavam em água!! - disse.
Foste tu?

Temos de combinar um café.


17 de fevereiro de 2019

o sapatinho foi à rua # 491

Bom dia!
Bom dia!
Os dias têm estado mais quentes e agradáveis.
Que bom!
;)
Apetece sair e aproveitar cada segundo ao ar livre.
As novas tendências puxam pela imaginação e os pormenores fazem a diferença.
Os blazers são os protagonistas das próximas estações e, nesta primavera/ verão, vamos vê-los por dentro das calças.
Sim.
Perceberam bem.
Por dentro das calças.
Digam: estilo!!







camisola: Massimo Dutti
jeans: Levi's
botins em pele e pelo: Zara
blazer: Zara
cinto e pulseira: Sacoor
óculos: Ray Ban
colar: Oriflame
batom: Kiko

10 de fevereiro de 2019

o sapatinho foi à rua # 490

Ainda bem que os dias de chuva nos vão dar tréguas.
Já não era sem tempo!
Apetece-me guardar as minhas Hunter e o meu camisolão quentinho no armário até ao próximo inverno.
Quanto ao trench coat, vai ser uma aposta forte na próxima estação, por isso, vamos deixá-lo sempre à mão no closet lá de casa.
Combinado?
Boa semana!!
;)


Amo este padrão nórdico a fazer lembrar os dias mais gélidos!!





camisola de lã: United Colors of Benetton
jeans: H&M
botas: Hunter
trench: La Redoute
lenço: * oferta

6 de fevereiro de 2019

os meus cinco minutos # 27

Quando estudava na universidade, muitas vezes, dava por mim a debater o Determinismo com a Andreia.
Na altura, defendia o Determinismo de forma acesa,  pois acreditava piamente num destino previamente traçado, em que todas as escolhas e todos os caminhos nos conduziriam a um único fim. 
A Andreia tinha a mente mais iluminada e acreditava num punhado de teorias muito menos ortodoxas e mais coerentes.
Quando estiver com a Andreia, não me posso esquecer de lhe dizer que, felizmente e sem me dar conta disso, mudei.
Em conversa com o João, no início da semana, fiquei admirada comigo mesma quando ataquei o demónio de Laplace com unhas e dentes.
Qual super ser humano, qual quê!
Arreganhei os dentes. 
Acreditar no Determinismo é cruzar os braços e ficar eternamente à espera de um messias que nos salve.
É acreditar num Quinto Império e num D. Sebastião qualquer, pois não acreditamos em nós próprios e tem, forçosamente de vir alguém, se for montado num cavalo branco, melhor, criar um eden por nós, que já estamos cansados de ter descoberto o caminho marítimo para a Índia, há séculos, e não nos faltava mais nada do que ainda ter de cumprir uma pátria civilizacional e cultural.
Já agora!
Quem cria messias, cria, inevitavelmente, castelos e moinhos e recolhe-se à sua insignificância.
Mais vale esperar que alguém faça o trabalho por nós, pois  somos Caeiros do mundo, eternos contemplativos que se limitam a aceitar os desígnios do universo.
Ou Ricardos estoicos e epicuristas que recusam Lídias ou comprometimentos sob pena de sofrerem com paixões violentas.
Quando vir a Andreia, não me posso esquecer de lhe dizer tudo isto.


5 de fevereiro de 2019

o sapatinho foi à rua # 489

Brrrrrrrr!

(esfrego as mãos para ver se aquecem)

Estes dias têm sido gélidos! 

Einstein diz que Deus não joga aos dados e, segundo as leis do determinismo, este tempinho-pilantra já era de prever, mas adiante.

O que nos safa é este solinho bom que nos deixa com um sorriso de orelha a orelha e a sonhar com os dias longos de verão.

Venham eles!!

Este visual é muito prático e desafia as leis das temperaturas mais malvadas.



Apostei no amarelo mostarda, que eu amo de coração!, e na camisola por dentro das calças axadrezadas.

Aliás, concordemos, tinham de ser axadrezadas e, inevitavelmente, curtas para serem perfeitas!


Os óculos, desenganem-se quem pensa que é para o estilo, fazem parte daquele momento vou-trabalhar-daqui-a-nada.

Ponto.

As mangas por fora do casaco dão-lhe um quê giro que se farta, não acham?

Boa semana!

Coragem, vá!

;)






camisola: Lanidor
calças: Pull & Bear
Botas: Seaside
Casaco: Zara (alterado)
* ainda viciada nos batons da Kiko!!

2 de fevereiro de 2019

o sapatinho foi à rua # 488

Olá! Olá!
O tempo tem sido escasso.
Há novas conquistas, tantas!, que adoro, que são importantes, mas que nos têm privado de momentos como este.
A ordem do dia é estudar história e filosofia, e a matemática lá vai ficando para trás.
Agora, talvez lhe pegue lá para o verão, que é quando os exames acabam e o ritmo abranda.
Depois, bem, depois, temos as formações e a preparação para os exames nacionais e os fins de semana também a trabalhar.
Ufa!
Os livros vão enchendo as estantes, num ápice, e os looks, esses, vão sendo quentinhos e confortáveis com novas aquisições e um novo conceito mais prático e clean.
Esta camisola da Element foi uma surpresa.
O corte é magnífico e a malha é linda e muito quentinha.
Vou ficar de olho na Element!
Prometo!
Passem palavra, se faz favor!
;)
O casaco é quente e o padrão axadrezado é a minha cara.
Sem tirar nem pôr.
Suportar os dias de inverno frios, molhados e com este vento de raça, aveirense de gema, é peanuts!
Luv u 🖤




chapéu: H&M
camisola: Element
jeans: Levi's
casaco almofadado: Pull & Bear
botins: Zara
óculos de sol: Ray Ban
cachecol: * oferta

P.S. - tenho usado as unhas bem curtinhas, desta vez, pretas, e não me tenho arrependido. 

29 de janeiro de 2019

os meus 5 minutos # 26


É preciso que uns mandem e outros obedeçam. Os que mandam dividem -se em vários graus [...]. Uns dedicam-se particularmente ao serviço de Deus; outros a defender o Estado pelas armas; os outros a alimentá-lo e a mantê-lo através de atividades pacíficas. São estas as três ordens ou estados.

Charles Loyseau, Traité des Ordres et Simples Dignitez,  1613

[...] Essa esperança [de ascensão social] faz com que essa pessoa se contente com o seu estado e não tenha ocasião de maquinar contra os outros, sabendo que por meios bons e lícitos aí pode chegar e que correria perigo se lá quisesse chegar por outra via[...]

Claude de Seyssel, prelado e político francês, La Monarchie en France, 1515


A sociedade de ordens remonta ao Antigo Regime e é imprescindível decifrá-la, com o intuito de nos comprometermos a perceber o presente, bem como os inerentes vínculos estabelecidos no seio da sociedade atual. Na realidade, a estratificação per se perpetua-se até aos dias de hoje, de uma forma subtil e mascarada, e dela advém todo um regime de comportamentos, regras, aparências e negociações entre os cidadãos que ganha contornos relevantes desde muito cedo, nomeadamente, a partir da adolescência. Nesta fase mais complexa, propícia a alterações dramáticas, mudam-se as crenças, mudam-se os hábitos, mudam-se os corpos e mudam-se os grupos. É precisamente no âmago do grupo que os adolescentes encontram a sua independência e autonomia, imprescindíveis na edificação de cidadãos plenos e conscientes. Os adolescentes procuram, indubitavelmente, novas experiências na aproximação e interação com os pares, com o intuito de construírem a sua própria identidade. O grupo assemelha-se, assim, a uma montra de comportamentos e hierarquias com regras bem rígidas e bem delineadas, em que cada elemento desempenha um papel distinto, em concordância com o que é expectável.
Entre os séculos XVI e XVIII, os comportamentos pertencentes a cada classe social encontravam-se escrupulosamente estipulados, no tocante às leis institucionalizadas e, nomeadamente, à mentalidade dominante. O estatuto jurídico, bem como os gastos, as profissões, a indumentária, a alimentação, as amizades, os divertimentos e as formas de tratamento deviam espelhar fielmente a pertença a cada uma das ordens vigentes.
Nesta ótica, os códigos sociais eram impreterivelmente intrínsecos ao papel que cada um desempenhava no seu quotidiano. Por exemplo, apenas os nobres se faziam acompanhar da espada e apenas os membros do clero usavam a tontura. As formas de tratamento divergiam significativamente, acatando uma hierarquia subjacente. Os eclesiásticos exigiam ser tratados por "Sua Eminência" ou "Sua Excelência"; os cardeais, "Ilustríssimo", os bispos, "Reverendíssimo", seguido da vénia e do beija-mão; a alta nobreza, "Excelência"; viscondes e barões, "Senhoria"; a baixa nobreza, "Vossa Mercê" ou, simplesmente, Dom; o burguês, "honrado homem"; no que concerne à arraia miúda, o tratamento por "tu" ou "vós" era suficiente. Todavia, este código seletivo estava longe de terminar aqui. A preocupação constante em sublinhar a diferenciação social em todos os parâmetros da vida diária deixou antever os principais valores preconizados na sociedade de ordens, a superficialidade e a degradação dos valores. No topo da cadeia alimentar, o rei absoluto surgia enquanto produto de modelos estéticos de encenação do poder de contornos definidos, regulador absoluto da hierarquia social.
As acões do monarca eram teatralizadas, encenadas, de forma a endeusá-lo e a sobrevalorizar a distinção das ordens sociais. No absolutismo régio, cada atitude possuía um significado social ou político inegável. O rei controlava o seu povo através de um conjunto de regras de  sociabilidade e bastava um gesto, um sorriso ou um olhar reprovador para ditar sentenças, funcionando como recompensa ou punição de um determinado indivíduo. Assim, a corte era submetida a uma hierarquia rigorosa e ninguém se atrevia a desafiar as  suas decisões. A estratégia régia cingia-se à aproximação da nobreza, envolvendo-a no seu cerimonial de corte, para que todos testemunhassem o seu poder. Por sua vez, o papel das vestimentas revestia-se de utilidade política e a nobreza devia seguir o rei nas suas vestes de custo elevado. Isso geraria custos elevados que a nobreza não tinha como suportar, dependendo do monarca e da sua boa vontade.
O cerimonial de corte estabelecido pelo rei teve um papel decisivo na elevação e manutenção do seu poder sobre o reino. Através desse cerimonial, o rei incentivava os desequilíbrios sociais, promovendo alguns indivíduos para que achassem que eram agraciados por si, despertando o ciúme na nobreza e o desequilíbrio momentâneo.
À imagem de Luís XVI, o estado era o próprio rei, conseguindo com as suas leis e o seu plano político de centralidade do poder em si mesmo, através do cerimonial de corte e outras atitudes, estabelecer a existência do seu poder e da sua autoridade suprema.
Em França, a corte régia funcionava no Palácio de Versalhes. Mas Versalhes era também o centro da vida galante, funcionando como um espelho e uma encenação do poder. Através do luxo e espetáculo da corte, os reis tentavam transmitir uma imagem de omnipotência e esplendor. Aqui, todas as festas e cerimónias eram sumptuosas e carregadas de aparato. A opulência dos banquetes, a riqueza do vestuário e a complexidade do cerimonial, tudo contribuía para um mesmo objetivo - o endeusamento da figura do rei.
Cada ato do dia a dia do monarca,  desde levantar, almoçar ou passear, eram regulados por uma minuciosa etiqueta. Ser convidado para assistir e participar dessa rotina era uma esperança de todos e um privilégio somente de alguns. O gosto do rei pelo exibicionismo também ajudou. Dizia Luís XVI: " Nós não somos particulares, pertencemos ao público."
Na corte residiam os mais importantes nobres que rivalizam entre si a obtenção das boas graças do rei, fosse um cargo, uma tensa ou uma pensão. Empobrecidos nos seus rendimentos fundiários, só lhes restava procurar junto do monarca formas de aumentar a fortuna. Todavia, as despesas e o luxo que a vida na corte lhes exigia, arruinava-os ainda mais. Para suportar um nível de vida tão dispendioso que valorizava os trajes riquíssimos ou as aprimoradas cabeleiras, tornavam-se dependentes do rei e das suas benesses que, por sua vez, incentivava esta situação, chamando-os à corte, concedendo-lhes cargos honoríficos, entretendo-os com bailes, peças de teatro, ou caçadas e gerindo habilmente as intrigas e rivalidades que surgiam entre eles, num esforço desesperado para a obtenção de um sorriso ou de um convite. Quem não frequentasse a corte, aliás, virava as costas ao poder e ao dinheiro que o rei distribuía magnanimamente. Este  jogo permitia ao rei um apertado controlo sobre a nobreza, conseguindo assim a sua submissão.
A estrutura da corte, de uma forma geral, remete para a atual forma como a organização hierárquica é efetuada na sociedade atual. As regras da corte funcionam de forma semelhante num grupo social, em que a hierarquia subsiste terminantemente. O grupo, na adolescência, é, muitas vezes, uma forma de afirmação e de conquista, em que os atos e os elos entre cada elemento ganham contornos significativos. Também o grupo tem um líder que atua concordantemente, estabelecendo as regras que o regem numa simbiose de aparências e o palco situa-se, muitas vezes, na própria escola. Essas regras devem ser escrupulosamente cumpridas: possuir sapatilhas ou roupa de marca, praticar  um desporto, ter uma determinada orientação sexual, fumar, ter boas notas, entre outros.

A não pertença a um grupo pode causar danos irreversíveis ao nível psicossocial, tais como perturbações depressivas, comportamentos suicidas e de automutilação, perturbações do comportamento alimentar, hábitos de consumo, violência, bullying ou comportamentos de risco, uma vez que o adolescente vê o seu status abalado. Tornam-se cada vez mais recorrentes situações de dependência relativamente a redes sociais e jogos de vídeo, já que a existência e a ostentação necessitam claramente de um público que as valide. São criadas, assim, ilusões de vidas perfeitas que, muitas vezes  se distanciam da realidade oca e vazia que parece não ter fim.  As alterações mais dramáticas e profundas que ocorrem nos adolescentes pertencem ao foro psicossocial e têm que ver com a identidade, a autonomia e o pensamento abstrato. Surgem os primeiros riscos, as angústias e as inseguranças; começam a caminhar com os seus próprios meios por trajetos cheios de projeções recebidas e limites impostos pela sociedade.
 Nesta fase, a referência deixa de ser apenas a família; o leque de contactos sociais alarga-se, bem como as influências que parecem sujeitar cada adolescente ao grupo que querem pertencer. A busca de autonomia prepara, inequivocamente, a transição para a idade adulta, mas esta mudança nem sempre é pacífica. Para tal, estão dispostos a muito. Na busca da identidade e independência, o adolescente tenta traçar o seu caminho a todo o custo e este processo implica, muitas vezes, comportamentos exploratórios e de experimentação.
Entrar na adolescência, significa, frequentemente, sair do âmago familiar e deixar de tê-lo como modelo absoluto; o adolescente convive com os pares, espelhando-se neles. É importante que esse afastamento ocorra. Debalde, a rede de amplificação daquilo que é privado e individual acaba por gerar vulnerabilidade e suscetibilidade às influências do próprio grupo de amizades, dos meios externos e de um mundo virtual que devora o bom senso e premeia sentimentos e afetos descartáveis. A presença nesse cosmos virtual é essencial, pois é sinónimo de poder e popularidade. Não  se trata de demonizar os meios sociais, pois estes são igualmente um meio poderosíssimo para o exercício da cidadania e da democracia. Trata-se de promover uma vigília parental algo discutível num mundo em que o excesso de informação não se coaduna com a maturidade intelectual do adolescente sábio e desajustado numa realidade que o manipula como num teatro de marionetas.

23 de setembro de 2018

os meus 5 minutos # 25

No outro dia, estava no Parque Municipal de Aveiro com o garoto.
Ele tinha comprado um skate no dia anterior e ia estreá-lo ali.
Fomos juntos pela entrada principal, descemos a escadaria e um grupo de jovens identificados com crachás da Universidade de Aveiro veio ter connosco.
Uma rapariga estrangeira dirigiu-se a mim com uma esferográfica preta na mão.
Do you speak English?
E eu disse que sim.
Yes. Do you want to sell me that pen?
Ela olhou para mim, admirada.
Yes...
Então, fez-me uma proposta: dar-me a esferográfica, se pudesse escrever no skate do Bernardo.
That's his skate. Ask him.
Does he speak English?
Yes.
Claro que o garoto se mostrou relutante.
Afinal de contas, o skate era novinho em folha.
Hmmmm...
Ok. We give you this pen if you let us take a photograph with it.
Ok. - disse o garoto.
Então, tiraram uma foto com o skate e entregaram-nos a esferográfica.
Nisto, vira-se ela para mim, aflita:
God! We're going to need the pen!! I'm so sorry... 
Ok. So, give me something in return. 
???
Sell me something!
Todo o grupo começou à procura de qualquer coisa nas mochilas.
Um pedaço de papel amarfanhado.
Sell it to me.
E o rapaz disse: I have this piece of paper. You're going to need it to write something down.
No. I don't think so. If we give you our pen, we won't have anything to write on.
Hmmm...
I have a wound patch. - disse outro.
Interesting. Sell it to me.
Well, your son is going to skate for the first time, right? He might use it, don't you think so?
Good job! - sorri-lhe.

A primeira rapariga que falou connosco virou-se para mim:
How did you know I wanted to sell you this pen?
I watched The wolf of Wall Street.
No final de contas, usámos o penso no Estágio de Judo da 4JUDO!


17 de setembro de 2018

o sapatinho foi à rua # 487

Hoje, começa uma nova etapa profissional na minha vida.
É bom fazermos aquilo que mais gostamos.
Ensinar!
Foi uma boa surpresa, não há dúvida.
Não estava nada a contar.
A minha avó costumava dizer para entrar com o pé direito.
Vou tentar não me esquecer disso.

Guardo boas recordações de todos os projetos que abracei e pessoas muito queridas que não ficaram para trás, mas que me acompanharão sempre no plano pessoal.
A todos aqueles que mudam de rumo, que fazem escolhas, que traçam caminhos e dão o melhor de si em tudo o que fazem, como o outro dizia, boa sorte e muito empenho extra.

*

Este foi um dos looks da semana passada.
Muito primaveril.
Continuam os plissados.
O amarelo.
Mas, sobretudo, a boa disposição!
Good vibes!
<3
Beijinhos 













12 de setembro de 2018

judo é no tatami # 47

Falar de Judo já não é novidade para nós.
Embora não seja judoca, pertencer ao 4JUDO é, para mim, uma grande honra.
Este 4º Estágio de Verão 4JUDO, do dia 6 ao dia 9 de setembro, foi, como sempre, um sucesso.
A nova Época Desportiva não podia começar da melhor maneira e com a melhor parceria, a nossa ADREP.
Promover a formação técnica e pessoal de todos os Judocas participantes, das 10 aos 18 anos de idade, foi, portanto, um objetivo cumprido a 200%.
E tudo isto deve-se a quem?
A quem?
Pois é.
Não podia deixar de ser.
Ao senhor Nuno Vieira, coordenador do projeto e, por mero acaso, um dos homens da minha vida (o garoto e o meu pai também contam, mas não vêm ao caso). 
Adiante.
Durante este 4 cansativos fabulosos dias, estiveram presentes, nada mais, nada menos, do que 37 atletas de vários clubes de Judo: Associação Académica de Coimbra, Boavista Futebol Clube, FADEUP, ADREP, CD Feirense, Clube de Judo do Porto e os núcleos do 4JUDO de Eixo e Esgueira.
Foram realizadas 5 sessões de treinos exaustivos (que partiram a maltinha toda), em que os miúdos puderam aprender e praticar com os melhores.
O resto do tempo foi dedicado a outras atividades, tais como piscinada, cinema com direito a pipocas, muita comidinha da boa (que a cozinheira da ADREP é daquelas de mão cheia) e jogos pedagógicos de autoconhecimento e mental coaching, ministrados pelo grande Miguel Oliveira.
Nesta edição, realizada, mais uma vez, nas instalações do Complexo Desportivo da ADREP, na Palhaça, where else?, contámos com a presença do preletor principal, o distinto Mestre Alain Massart, 7° San, detentor de um elevadíssimo conhecimento técnico e um homem fantástico, bem como com 2 atletas de alta competição, inseridos no Projeto Olímpico Tóquio 2020, a Joana Diogo e o Jorge Fernandes, que, além de ótimos Judocas, são super simpáticos e acessíveis.
O contacto dos atletas mais novos com a Joana e o Jorge foi muito importante, pois perceberam que é possível atingir resultados de alto nível, sem descurar o sucesso escolar e o desenvolvimento pessoal, desde que haja trabalho e dedicação. 
Os bons exemplos vêm de cima e é verdade.
O Miguel Oliveira trabalhou as sensações e a imaginação dos jovens e, consequentemente, a autoconfiança e autoestima.
Convidou-nos a pôr de lado a sobrevalorizada "visão" (materializada, de sobremaneira, nos telemóveis e na tecnologia, em geral) e a escutarmos o próximo, melhor!, a SENTI-LO!
Pessoalmente, adorei as palavras do Miguel, como sempre.
Para que todas estas emoções, sentimentos e conhecimentos pudessem acontecer, temos de tirar o chapéu a todos aqueles que nos ajudaram de corpo e alma:
e Sabores de Aveiro.
Já eu, queria agradecer ao Nuno.
Por ser tão trabalhador, esforçado e dedicado.
Por ser tão profissional e competente naquilo que sabe fazer melhor: Judo.
Além de ser um excelente profissional, é um ser humano genuíno e bondoso.
Verdadeiro.
Com um coração maior do que o mundo.

Obrigada!!

P.S. - agradeço, mais uma vez, à cozinheira da ADREP, pois nunca comi um bacalhau tão bom na vida! Aqui, entre nós, quer dar-me a receita???