Alguém se andou a portar muito mal, ai, andou, andou!! Alguém se alapou em cima do meu computador e andou a criar ficheiros atrás de ficheiros. O pior é que, depois, nem sequer consegue disfarçar...
Detesto lavar a roupa suja em público, detesto, mas a Sushi anda a pedi-las, ai, anda, anda.
Então não é que a tipa mia horrores para lhe pegarmos ao colo... isto... precisamente... a meio da noite... do género, quando estamos todos alampados na cama a tentar dormir, por Deus, e não estamos minimamente para ali virados, como é mais do que óbvio.
Então, o raio da gata mia que se farta.
Mas mia, mesmo.
Assim, não é cá aquele miar fofo que os gatinhos fofos têm; é mais um miar socorro-estão-a-matar-me-venham-já-cá-fazer-me-umas-festas-ou-parto-esta-m€rda-toda.
E parte.
Literalmente.
A bicha vê-se consumida sem mimos pela noite dentro e toca de partir a louça toda sem grandes rodeios.
Desta vez, foi mais longe e partiu a minha caneca preferida, aquela que comprei no meu ano de estágio, no Palácio da Pena, há 17 anos.
Estou destroçada.
Já não sei o que fazer da minha vida, com estas pestes que me f@d€m o juízo.
Palavra de honra.
Já há muito tempo que cheguei à conclusão de que estas não são gatas normais.
Não são!
De todo!
Talvez se as rifasse e as metesse num circo, ficaria rica, de certezinha absoluta, mas como sou mesmo boa pessoa e tenho o coração maior do que o mundo, não consigo.
Pronto.
Não consigo.
Então não é que, hoje, cheguei a casa do trabalho e tinha... o forno ligado!!!!!!????
Precisamente.
Ligadíssimo!
Aliás, até a luz estava acesa e tudo!
Por acaso, não tinha nada lá dentro.
Imaginem que tinha um peru ou sobras do almoço ou o raio que o valha!!!??
Estava tramada, era o que era!
O trio da vida airada, que me põe os cabelos brancos todos os santos dias!
Meus senhores, já não sei o que fazer com o raio das gatas, por Deus!
A minha vasta lista de soluções anti-felinos chegou, irremediavelmente, ao fim.
Tentei tudo, mas em vão.
Basicamente, quem manda aqui são elas.
Disso, já estávamos todos carecas de saber.
As tipas conseguem surpreender-me sempre.
Quando penso que mais nada pode acontecer, Truca!
Já foi!
Posto isto, só para que conste, como já estava pelos cabelos com os furtos aos armários da cozinha, decidi dar-lhes uma lição.
Quem ri por último, ri melhor, claro, foi o que pensei.
Então, vai daí e fui ao Jumbo procurar uma forma de trancar os armários.
Claro que, para isso, tive de pedir ajuda a uma senhora que me levou diretamente à secção de puericultura. Eu logo lhe expliquei que não, que não era uma criança, de todo, coitadinhas das crianças, mesmo as piorzitas, acredite, minha senhora, são uns anjinhos em comparação com estas duas estafermas.
Não, minha senhora, volto a repetir, são duas gatas.
E ela juntou as sobrancelhas muito rápido, até se tornarem numa só, e ficou com ar de desconfiada, que não, que não era possível, porque os gatos não conseguem fazer nada disso, mas as minhas conseguem e foi difícil meter isso na cabeça da senhora que, nessa noite, aposto, não deve ter dormido a pensar nas duas serigaitas.
Nesse dia, nem imaginam como entrei em casa inchada.
Inchada, caramba!, palavra de honra!
Fui logo meter a porcaria dos trincos em dois armários e tomem lá pinhões.
Claro que a festa durou dois dias.
Dois dias!!!
D-o-i-s!!!
As bichas lá arranjaram forma e até os trincos conseguem abrir!!!!!!!!!!!!!!
Conseguem, pois!!!!
Imagino que, se a senhora do Jumbo ouvisse esta, não acreditava, de certezinha absoluta.
Como é que o fizeram?
Não faço a menor das ideias.
Aliás, até eu me vejo aflita para abrir aquela m€rd@!!
Por favor, assim, no desespero total, alguém me pode ajudar?
Lembram-se deste pataneco-fofo-lindo-querido da nossa pequena Ippon?
Lembram?
Pois é, veio diretamente do Algarve connosco para a nossa magnífica cidade de Aveiro.
Passámos 1001 aventuras juntos. Tornou-se um amigo fiel, querido por todos. Praticamente um membro da família.
Mais!
Demos-lhe um nome. Tomé. Giro, hã? Na realidade, não é um nome qualquer; é nome de gente.
Ele e a Ippon são amigos inseparáveis: unha e carne!
Agora, só para verem que a bicha é mesmo um estafermo, vejam só o que fez ao pobre Tomé. Um banho de carnificina, foi o que foi!
Aliás, o Tomé tem vindo a ser comido, literalmente, por esta Judas-peluda-e-fofa!
Com amigos assim, o Tomé não precisa de inimigos.
Que vergonha, Ippon!
Pede desculpa, vá!
Que tenho umas gatas inteligentes, disso não há dúvida!
Agora, que jogam comigo ao "1, 2, 3 macaquinho do chinês", já é outra história.
Tão certo como 2 mais 2 serem 4!
Deixem-me explicar.
A Sushi entra na sala.
Entretanto, estou sentada à mesa.
Então, ela olha para mim, fixamente, sem se mexer um milímetro que seja e sem piscar os olhos.
É assustador.
Aí, já ambas sabemos o que temos de fazer.
Eu viro-me para a frente e digo "1, 2, 3 macaquinho do chinês" e quando olho, novamente, para trás, já a tipa deu uns quantos passos e continua impávida e serena, sem respirar e sem desviar o olhar.
Isto acontece mais 2 ou 3 vezes, até a bicha chegar perto de mim e, depois, o jogo acaba.
Tão simples quanto isto.
Sou sincera que ainda pensei que estaria a ficar demente ou a imaginar coisas do arco da velha, mas não.
Ontem, a criança testemunhou o sucedido e tirámos a prova dos 9.
A Sushi jogou "1, 2, 3 macaquinho do chinês", sim senhor, e a criança assistiu, de boca aberta, mas assistiu!
Conclusão: eu não estou tolinha da cabeça (por enquanto) e a gata é uma jogadora exímia.
Ganha sempre.
Na realidade, com este jogo, acho que a bicha está a tentar provar quem usa calças cá em casa, mas adiante.
Estou tramada!
Há uns dias atrás, as malandras das gatas quase incendiaram a casa.
E quando digo "quase" é mesmo "quase".
Isto, sem exageros.
Vejam lá bem.
As estafermas ligaram a placa vitrocerâmica, o que já não é a primeira vez, puseram-na na potência máxima, 9, portanto, puxaram a ficha da torradeira e tau! puseram-na mesmo em cima da bendita placa.
Quando cheguei à cozinha, claro que havia uma fumarada do caraças e a ficha estava... a arder...
Cheguei a tempo de evitar um incêndio, foi o que foi!
Senhores Bombeiros Voluntários de Aveiro, consigo identificar as 2 incendiárias.
Uma é cinzenta e branca e mais redonda do que a bola de basquetebol da criança; a outra é malhada: laranja, branca, preta e castanha.
Ah! Pode parecer estranho, mas as 2 têm bigodes.
Meus senhores, não se deixem intimidar pelos olhos doces e ternurentos.
À primeira oportunidade, incendeiam o que estiver à mão!
A Ippon fez um cocó dentro de casa.
Pronto.
Já disse.
Pessoal, não quero parecer que me estou a chibar, nem nada do género, mas hoje a mafarrica saiu-se das cascas.
Ai, saiu, saiu.
Não é que o homem a levou a passear à vontade, no jardim, lá fora, ou seja, o paraíso canino perfeito para fazer uns cocós valentes (claro que são sempre escrupulosamente apanhados com um saquito de plástico e deitados ao lixo, ok? acalmem-se) e, às páginas tantas, não lhe bastou.
Deus dá nozes a quem não tem dentes e é bem certo!
Mal chegou a casa, esgueirou-se à socapa para o escritório e trufas! descarregou ali, mesmo no meio da divisória, tipo "este cocó é meu e de mais ninguém!".
Até o cocó em si era suspeito.
Digo-vos.
Palavra de honra.
Era grande como o caraças, alto e espadaúdo como os cocós dos Pastores de Cáucaso ou dos Grand a Noirs.
Conseguem imaginar, certo?
A tipa deve ter achado que era boa demais para o relvado e queria madeirinha da boa.
Só pode!
Imaginem que virava moda e todos aqui em casa decidiam fazer o mesmo!?
Eram gatas, era o homem, era a criança!!!
Enfim, não havia madeira que chegasse para todos!
Era a loucura total.
Bem, quero só dizer que estamos de relações cortadas há cerca de 10 minutos e espero bem que a bicha não faça aquelas caretas que nos levam às lágrimas, pois não sei se aguento muito mais.
E, pronto, a bicha dorme assim, ao alto, como se não fosse nada com ela.
Aliás, podemos abaná-la, dar-lhe um empurrãozito, virá-la de cabeça para baixo que nada, não se passa nada e continua na paz do Senhor.
Dizem que os animais saem aos donos. Esta saiu a mim.
Isto há coisas!
Não é que a Tzuri, agora, também já sabe acender as luzes cá de casa????
Sim!!!
A porra das luzes!
Só me faltava esta!
No outro dia, as luzes da cozinha ficaram acesas a noite toda!
Não há paciência!!
Já não me bastava a estaferma-duma-figa abrir os armários e esgueirar-se lá para dentro, enquanto o diabo esfrega um olho, quanto mais a fatura da EDP!
Grandessíssima traste!
Passei por aqui só para dizer que a dona Ippon gosta de... grelos.
Sim, estamos a falar de vegetais.
É o que eu digo, aqui em casa ninguém é esquisito.
Sapinhos, as coisas cá por casa andam, assim, um bocado estranhas...
Não é que a cadela pensa, acredita piamente, que é uma gata?
Sim, uma gata!
Na realidade, só não faz romrom, de resto, é mais felina do que certos felinos!
Ela esgadanha-se para comer a ração das gatas, salta para o topo do encosto dos sofás e, ontem, trepou para o parapeito da janela.
É o que eu digo, não há pachorra, pá!
Amores, tenho a plena consciência de que tenho
usado a abusado desta rubrica quase exclusivamente para me queixar da pequena
Ippon.
Sim, sou uma criaturinha fofa e emotiva que tem uma
necessidade parva de desabafar as amarguras da vida com os meus sapinhos, é o
que é!
Já sabem o que a casa gasta, certo?
Mas e as gatas? perguntam vocês Quer dizer, esta
criou a rubrica para falar das gatas e, agora, lavou daqui as mãos, e toca a
falar SÓ do raio da cadela-cagona-leva-tudo-à-boca??!!!
Não pode!
Pois claro que não, até porque temos mudanças.
Sim, as coisas cá por casa estão muito diferentes.
Passo a explicar.
A nossa Sushi-mascotezinha-anti-social acabou por
aceitar a chegada da Tsuri, mal, mas aceitou.
Pudera!
A Tsuri praticamente fazia bullying à grandalhona-do-pedaço;
no fundo, vocês sabem, sempre foi uma amizade à força. Literalmente. A Sushi
tinha de gramar com a outra e tinha e lá foi socializando com a gatita mais
nova, mas sempre metida com ela própria; muito introspetiva, portanto, do
género “não me amola, cara”!
Mas, quando a dona Ippon chegou cá a casa, TUDO,
mas TUDO ficou de pantanas!
Juro por todos os santinhos!!
A Tsuri passou a ser a grande amiga da Ippon. Na
realidade, andam as duas sempre à batatada o dia todo. Sim, elas mordiscam-se, lambem-se,
rebolam, enfim, uma paixão violentíssima!
Já a Sushi, anda a passar uma fase de… mimo!
M-i-m-o!!!
Quem diria, hã?
A nossa querida-anti-social-sento-me-a-dez-metros-dos-humanos-e-ronrono-à-distância,
finalmente, ganhou simpatia pelos humanos!
Sim!!!
Ela palra, ela esfrega-se em nós (algo inédito) e
só descansa quando recebe festinhas e mais festinhas!
A gatona anda a pedir mimo e o carago o dia todo!
Aliás, ela já se relaciona com as nossas visitas e tudo; quando a vi a miar à
Paula, ali, à descarada, oferecidíssima, a roçar-se toda, a minha alma ficou
parva!!!